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Portugal no IDAS 2012
December 22nd, 2012Blogue, Posts Destacadossddupguest 0 Comments

Relato da participação no IDAS 2012, em Novembro deste ano, pela SdDUPiana Sofia Laranjeiro.

No passado dia 16 de Novembro de 2012 partiu do aeroporto Sá Carneiro a delegação portuguesa com destino ao International Debate Academy of Slovenia.

Nesta delegação contavam quatro elementos da Sociedade de Debates da Universidade do Porto (incluindo eu), um da Sociedade de Debates Académicos de Lisboa e um da Sociedade de Debates da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Após aterrarmos em Milão, onde passamos a noite, dirigimo-nos de comboio para Veneza, onde nos esperava uma camioneta do IDAS bem como outros participantes da Venezuela, Ucrânia e América.

A viagem até Kranjska Gora permitiu-me ter uma visão de como é a Eslovénia, mas nada me tinha preparado para a magnitude da paisagem do Hotel Spik, onde ficamos alojados. Este, situado no meio dos Alpes, permitia-nos ver a todo o redor montanhas cobertas de neve, a água límpida sobre o rio de pedras e a flora pintada de branco.

Começou assim o IDAS, no dia 17 de Novembro, onde pudemos logo disfrutar das comodidades do hotel, tais como a piscina, o jacuzzi, o restaurante com imensa oferta alimentar, etc. Na noite do mesmo dia assistimos a um debate de apresentação, no qual participaram treinadores de renome, tais como Rhydian Morgan, Michael Shapira, Art Rennels e Milan Vignjevic acompanhados por participantes do evento. A noite seguiu-se animada, onde pudemos conhecer os participantes e treinadores e aproveitar o primeiro dos muitos eventos sociais que se seguiram durante a semana.

No Domingo, dia 18, começaram os treinos. Os participantes foram divididos em três grupos – Gold, Red e Green – e para cada grupo havia uma lecture, todas as manhãs. Após a lecture juntávamo-nos em pequenos grupos para fazermos exercícios sobre o que tinhamos aprendido e após isto um debate de treino, onde aplicávamos os conhecimentos e recebíamos feedback pessoal, de modo a poderemos melhorar as suas falhas. O primeiro debate do IDAS teve como moção “This house would not give money to beggers”, ao qual se seguiu o muito esperado almoço. Durante a tarde havia duas electives de uma hora, das 15h até as 16h e das 16h até às 17h. Todos os dias podíamos escolher entre as quinze opções que havia para cada uma das electives, que variavam entre “Displaying your material in the better way”, “Energy resources”, “How to build economic arguments”, entre muitas outras.

O fim da tarde acompanhava-se de outro debate treino, seguido do jantar e, na noite do dia 18, a festa “Country Exhibition”, onde cada país dos 28 representados mostraram as suas peculiaridades através de bandeiras, comida tradicional, música, bebidas, folhetos, roupa, etc. No nosso não faltaram os recentemente populares “portuguese sayings”, tais como “Bad bad little Mary, you are here, you are eating”.

Segunda-feira chegou com outra lecture, no meu caso dada pela Maja Nenajovic sobre análise de moções. O grupo de exercícios juntou-se e preparamo-nos para um debate que acabou por se revelar extremamente interessante: This house would decrease prision sentences in exchange for military service. A tarde revelou-se muito proveitosa para mim. Assisti a duas electives sobre estilo, a primeira dada pelo Filip Dobranic, que nos demonstrou o quão importante a originalidade é num discurso, e a segunda pelo Rhydian Morgan, perito em filosofia, teatro e psicologia, sobre a voz. Genial. Novamente um debate, jantar e à noite foi-nos proposto ver um episódio do Doctor Who, uma vez que um dos organizadores do IDAS, Alfred Snider é um apaixonado por esta série… e ainda bom, de outro modo não teria descoberto o maravilhoso mundo deste Doutor tão cedo!

Na Terça-feira foi a vez do Paul Gross nos dar uma lecture sobre informação: como recolher informação, o que fazer com ela e como a aplicar no debate. Devo dizer que, embora me seja impossível aplicar os conselhos que me foram dados na totalidade, já que envolviam ler diversos jornais por dia e escrever sobre eles, tenho tentado aproveitá-los e muito me têm ajudado a, não só saber melhor o que se passa à minha volta, mas também a melhorar a minha prestação nos debates. O exercício que se seguiu foi um dos que preferi uma vez que, sobre a instrução do treinador venezuelano Arlan, cada pessoa do nosso pequeno grupo tinha de dizer o que sabia sobre os países dos outros e foi efectivamente um momento de séria recolha de informação.

Novamente o que se passou nos dias anteriores: debate, almoço, electives e…festa na piscina! Para mudar um bocado a rotina pudemos tirar o fim da tarde para nos juntarmos todos a aproveitar a piscina. Claro que não iam deixar passar o segundo debate do dia, só que este ocorreu à noite, depois do jantar com uma moção bem puxada “This house would let convicted criminals raise their kids in prison”. Sorte a minha, debati contra outra equipa do Porto (Edgar e Pedro), de modo que foi um pouco mais light, já que estávamos exaustos da piscina.

A quarta começou com uma lecture dada pelo Alexander Eerdmans, treinador que também participou no International Debate Camp de 2011, no Porto. Neste dia pude constatar a razão pela qual toda a gente o tinha elogiado tanto no IDC. Exercícios e um debate sobre um tema muito chegado a nós, portugueses: This house believes that all EU members should discontinue the use of the euro as their currency. Durante a tarde tivemos as já usuais electives e, por último, um debate que achei muito pertinente e divertido “This house believes that Disney should create an animated movie featuring a clearly gay protagonist”, que envolveu tudo, desde religião à comunidade LGBT e aos interesses “maliciosos” das grandes companhias.

A noite festejou-se numa festa de talentos onde ouvimos vozes fantásticas cantar e rimo-nos no show de stand-up comedy, proporcionado pelo Rhydian.

Finalmente Quinta, e neste dia mudamos a rotina. A delegação portuguesa foi ao IDAS em parceria com um projecto Active Citizens Take Action (ACTA), que quer promover a maior participação dos cidadãos nas decisões do governo e nas ONGs, tendo como tema principal a internet e os problemas que têm vindo a ganhar tanta importância, tais como a privacidade online, os hackers, os regulamentos de privação a certos sítios online, etc. Então no dia 22 este projecto começou com a chegada de mais de 50 oradores também ligados ao debate. A primeira actividade foi uma apresentação do projecto, seguido de vários grupos de discussão, onde as pessoas escolhiam o tema que preferissem e se juntavam para discutir esse tema. No meu caso, como não podia deixar de ser sendo uma estudante de Ciências da Comunicação, escolhi os media online. No meu grupo estavam também pessoas da Sérvia e da Eslovénia e foi muito interessante ver as diferenças entre os nossos países, ou melhor, entre as opiniões de cidadãos de diferentes nacionalidades.

Após esta actividade voltamo-nos a reunir todos e a fazer uma pequena apresentação sobre o que tinha sido debatido em cada grupo. Depois disso o Filip, como já ouvi ser descrito, um hacker de coração, deu-nos uma palestra sobre a organização de eventos sociais online, mostrando-nos passo a passo o que fazer para levar as pessoas a tomar acções pelas nossas causas e o que não fazer para as desviar do nosso objectivo. Durante a tarde as electives foram dadas pelos participantes do projecto, e obviamente que Portugal estava (muito bem) representado. A primeira foi administrada pelo Edgar Bento cujo título era “BigBrother e Big Bussiness” à qual foram mais de 20 pessoas, o que tornou a elective muito dinâmica. De seguida o Francisco Sá e a Rita Caldas falaram sobre “Hacktivism made in Portugal” e puseram alguma audiência do este da Europa perto das lágrimas quando falaram nos problemas governamentais e na liberdade de expressão.

A melhor festa esperou por esta noite… Kitsch Party, ou traduzido, festa parola, na qual vimos para cima de cem pessoas o mais mal vestidas que conseguiram. Foi hilariante, havia brilhantes, saias em homens, coletes cor-de-rosa e totós, havia de tudo nessa noite!
Sexta-feira e a hora de sair do hotel rumo a Ljubljana e ao Open do IDAS.

Chegamos aos dormitórios por volta das onze horas e ainda tivemos oportunidade de ir tomar café antes de assistirmos a um debate (não no nosso formato, mas uma discussão de ideias) sobre o poder da internet, no qual participaram Tanja Falon, um membro do parlamento europeu, Natasa Musar, comissária do acesso à informação pública, Primoz Bratanic, da slo-tech.com, Simon Delakorda, do Instituto da e-participação, Blaz Golob, do Centro pela e-governação e Nikolaj Jeffs, da Universidade de Primorska.

Depois do debate almoçamos e ainda podemos relaxar um pouco antes do torneiro começar. Contudo, antes do que esperávamos, já estávamos a discutir que o acesso à internet devia ser um direito humano e que os políticos que não cumprem promessas feitas na campanha eleitoral deviam ser criminalizados. Depois destes dois debates, nos quais duas equipas portuguesas ficaram muito bem representadas, tivemos o merecido jantar. Estávamos tão exaustos que apenas fomos a um café próximo dos dormitórios e rapidamente adormecemos.

Considerar o dia seguinte cansativo é pouco. Após dois debates de manhã, almoço e dois debates à tarde reunimo-nos exaustos, mas com um grande sorriso: afinal, estávamos a fazer o que nos apaixona. Essa noite tinha reservado uma festa diferente. Era a noite da break party, na qual as equipas que passaram aos quartos-finais iam ser enunciadas. Fomos a um restaurante com ares de mexicano, chamado Hombre, no qual comemos pizza, batatas com os mais diferentes molhos, frango frito, crepes de queijo, enfim, de tudo e mais alguma coisa. Quando já estávamos todos na pista de dança foram anunciadas as equipas. Infelizmente nenhum português passou, mas estivemos perto e estávamos cientes da qualidade da nossa prestação durante o evento. Acabou por ser uma desculpa para podermos ficar e aproveitar o convívio durante mais tempo.

O último dia chegou e com ele os últimos debates desta semana fantástica. Assistimos aos quartos-finais, às meias finais e a uma final extremamente renhida e de grande qualidade, que nos deixou a todos ansiosos por saber qual o resultado final. Acabou por, justamente, ganhar uma equipa de África do Sul.

O IDAS estava a terminar. Altura de nos despedir de todas as pessoas que tanto nos marcaram durante esses dias. Feitas as despedidas (e algumas lágrimas da minha parte, confesso) fomos explorar a cidade, pois ainda tínhamos bastante tempo antes de a camioneta para Veneza partir. Eu, pessoalmente, apaixonei-me por Ljubljana, por toda a história e cultura que se espalhava pelo centro histórico. Ainda tivemos a oportunidade de reencontrar alguns amigos que também ficaram mais tempo e de experienciar a vida nocturna (ainda que num Domingo) da cidade.

Há uma e meia partimos em direcção a Veneza, onde esperamos durante a manhã de Segunda para voar até Barcelona. Aí ainda tivemos oportunidade de passear no centro da cidade, nas Ramblas, na Plaza del Rei, no Bairro Gótico, entre outros lugares. Ao fim da tarde voltamos para o aeroporto, e voltamos para Portugal.

Nem tudo foi perfeito, houve muito cansaço à mistura, alguma confusão que é inevitável num evento desta magnitude, mas no fim… no fim valeu a pena. Pelas pessoas, pelo conhecimento, pela viagem… pelo debate! Vale sempre a pena pelo debate.
Mal posso esperar pelo próximo IDC, pelo próximo IDAS, pelo próximo debate. Mal posso esperar para me sentir em casa, tal como me sinto no Mundo dos debates.

Sofia Laranjeiro

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